Simples Nacional e SIMEI: como funcionam, limites, anexos e cuidados

O Simples Nacional pode facilitar a apuração e o recolhimento de tributos das microempresas e empresas de pequeno porte. Isso não significa, porém, que seja sempre o regime mais econômico ou que todas as obrigações sejam eliminadas.

A escolha depende de vários fatores. Entre eles estão atividade, receita acumulada, folha de salários, anexo aplicável e fator R. Estado, município e condições cadastrais e fiscais também entram na análise.

O SIMEI, por sua vez, é o sistema de recolhimento em valores fixos mensais destinado ao Microempreendedor Individual. Embora o MEI esteja inserido no Simples Nacional, Simples Nacional e SIMEI não são expressões equivalentes.

A revisão geral deste conteúdo utilizou regras disponíveis em 22 de julho de 2026. Os prazos de opção para 2027 foram atualizados com base na orientação da Receita Federal de 29 de setembro de 2026, relativa à Resolução CGSN nº 194/2026. Demais regras, sublimites e alterações posteriores devem ser conferidos nas fontes oficiais antes de qualquer decisão.

Guia sobre Simples Nacional e SIMEI para micro e pequenas empresas
ENTENDA O REGIME TRIBUTÁRIO DO SIMPLES NACIONAL (SIMEI)

Qual é a diferença entre Simples Nacional e SIMEI?

O Simples Nacional é o regime tributário destinado às microempresas e empresas de pequeno porte que atendam aos requisitos legais. O SIMEI é o sistema específico de recolhimento em valores fixos mensais aplicável ao MEI. Nem toda empresa do Simples é MEI, mas o MEI regular está enquadrado no Simples Nacional e no SIMEI.

O que é o Simples Nacional?

O Simples Nacional é um regime tributário compartilhado destinado às microempresas e empresas de pequeno porte que atendam aos requisitos da Lei Complementar nº 123/2006.

A opção pelo Simples Nacional pode simplificar a rotina tributária, mas não representa economia automática. O resultado depende da atividade, das receitas, da folha de salários, do anexo aplicável, do fator R, do estado, do município e da comparação documentada com outros regimes.

Qual é a diferença entre Simples Nacional, MEI e SIMEI?

O Simples Nacional é o regime tributário destinado às microempresas e empresas de pequeno porte que atendam aos requisitos legais.

MEI é a forma simplificada de atuação do microempreendedor individual, sujeita a limite próprio de receita e demais condições específicas.

SIMEI é o sistema de recolhimento em valores fixos mensais utilizado pelo MEI.

Nem toda empresa do Simples Nacional é MEI. O MEI regular, por sua vez, está enquadrado no Simples Nacional e no SIMEI.

O enquadramento depende de limite de receita, atividades permitidas, quantidade de estabelecimentos, participação em outras empresas e demais condições da regulamentação.

Empresas que já são MEI e buscam apoio para organizar obrigações e crescer com segurança podem contar com gestão e regularização do MEI.

Quem pode optar pelo Simples Nacional?

Podem optar pelo Simples Nacional as microempresas — ME e as empresas de pequeno porte — EPP que estejam dentro dos limites de receita e não incorram nas vedações legais.

Além do limite de receita, a empresa precisa verificar composição societária, atividade, participações em outras empresas, pendências cadastrais e fiscais, inscrições obrigatórias e demais vedações da Lei Complementar nº 123/2006.

CNAE, descrição comercial ou profissão isoladamente não são suficientes para concluir o enquadramento. A análise deve considerar as atividades efetivamente exercidas e os documentos da empresa.

Limites de receita para ME, EPP e MEI

Valores vigentes considerados nesta revisão, realizada em 22 de julho de 2026:

  • Microempresa: receita bruta anual de até R$ 360.000,00;
  • Empresa de Pequeno Porte: receita bruta anual superior a R$ 360.000,00 e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00;
  • MEI: receita bruta anual de até R$ 81.000,00, com limite proporcional no ano de início;
  • MEI Caminhoneiro: limite específico de até R$ 251.600,00 quando atendidas as condições e ocupações exclusivas previstas na regulamentação.

O MEI é optante do Simples Nacional e utiliza o SIMEI, sistema específico de recolhimento em valores fixos mensais.

Quais tributos podem ser recolhidos no DAS?

O Simples Nacional pode reunir no Documento de Arrecadação do Simples Nacional — DAS, conforme a atividade e as regras aplicáveis, os seguintes tributos:

  • Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ
  • Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI
  • Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL
  • Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins
  • Contribuição para o PIS/Pasep
  • Contribuição Patronal Previdenciária — CPP
  • Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços — ICMS
  • Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza — ISS

Isso não significa que todos esses tributos sejam devidos por todas as empresas ou que sejam sempre recolhidos dentro do documento único. A composição depende da atividade, das receitas segregadas, do anexo e das exceções legais.

Mesmo entre os tributos abrangidos, determinadas operações ou situações exigem recolhimento separado. Entre os exemplos relevantes estão a CPP das atividades tributadas pelo Anexo IV e o ICMS ou o ISS quando aplicáveis as regras dos sublimites.

A centralização pelo PGDAS-D pode simplificar parte da rotina de apuração e pagamento, mas não elimina outros tributos, inscrições ou obrigações acessórias.

Como funcionam os Anexos I a V?

Os anexos não são escolhidos livremente pela empresa. O enquadramento das receitas depende da atividade efetivamente exercida e das regras da Lei Complementar nº 123/2006.

Visão geral:

  • Anexo I: receitas de comércio;
  • Anexo II: receitas de atividades industriais;
  • Anexo III: determinadas prestações de serviços e receitas sujeitas ao fator R quando o resultado for igual ou superior a 28%;
  • Anexo IV: determinadas prestações de serviços, com CPP fora do DAS;
  • Anexo V: determinadas prestações de serviços e receitas sujeitas ao fator R quando o resultado for inferior a 28%.

Essa classificação é uma orientação geral. Atividades específicas, receitas segregadas, retenções, substituição tributária, tributação monofásica e incidências estaduais ou municipais exigem análise própria.

Como calcular a alíquota efetiva

As tabelas oficiais apresentam três elementos diferentes:

  1. receita bruta acumulada nos 12 meses anteriores — RBT12;
  2. alíquota nominal;
  3. parcela a deduzir.

A parcela a deduzir não é o imposto pago.

A alíquota efetiva é calculada por esta fórmula:

[(RBT12 × alíquota nominal) − parcela a deduzir] ÷ RBT12

Depois, a alíquota efetiva é aplicada à receita mensal segregada conforme a atividade e o tratamento tributário correspondente.

Consulte sempre a versão vigente dos Anexos I a V da Lei Complementar nº 123/2006 antes de realizar qualquer cálculo.

Quando o fator R se aplica

O fator R não se aplica a todas as empresas de serviços. Ele deve ser calculado somente para as atividades legalmente sujeitas a essa regra.

O cálculo compara:

FS12 ÷ RBT12

FS12 corresponde à folha de salários e aos encargos admitidos nos 12 meses anteriores ao período de apuração.

RBT12 corresponde à receita bruta acumulada nos 12 meses anteriores.

Quando o resultado é igual ou superior a 28%, as receitas abrangidas pelo fator R são tributadas pelo Anexo III. Quando o resultado é inferior a 28%, são tributadas pelo Anexo V.

Podem integrar a FS12, conforme a regulamentação, remunerações de empregados, trabalhadores, pró-labore e determinados encargos efetivamente recolhidos. Distribuições de lucros e aluguéis não integram o cálculo.

Mesmo quando a empresa utiliza regime de caixa para a base mensal, o fator R considera a receita apurada pelo regime de competência.

O cálculo precisa ser confirmado no PGDAS-D e nos documentos da folha. Não conclua o anexo apenas pela profissão ou pelo CNAE.

Como funciona a CPP no Anexo IV?

Em regra, a Contribuição Patronal Previdenciária — CPP está incluída no DAS. A principal exceção ocorre nas atividades tributadas pelo Anexo IV, para as quais a CPP deve ser apurada fora do documento unificado, conforme a legislação previdenciária aplicável.

Não é seguro concluir o valor da contribuição apenas pelo CNAE ou citar genericamente um percentual de 20%. A apuração pode envolver folha, pró-labore, remunerações, enquadramento da atividade e outras incidências previstas na legislação.

Para os contribuintes obrigados à DCTFWeb, as contribuições previdenciárias são declaradas no sistema e recolhidas por DARF numerado. A orientação antiga de recolhimento por GPS não deve permanecer como regra geral.

Regime de caixa ou competência: qual é a diferença?

No Simples Nacional, o regime de caixa define quando a receita recebida entra na base de cálculo mensal. Ele não transforma compras, despesas ou parcelas pagas em deduções do DAS.

A empresa pode optar anualmente pelo reconhecimento das receitas pelo regime de caixa ou de competência. A escolha é irretratável para o respectivo ano-calendário.

Mesmo no regime de caixa, a empresa deve informar também a receita pelo regime de competência. Essa informação continua sendo utilizada para determinar limites, sublimites, RBT12, faixa de alíquota e fator R.

A empresa optante pelo regime de caixa também precisa manter o controle dos valores a receber exigido pela regulamentação. Existem situações em que receitas ainda não recebidas devem ser levadas à base de cálculo, como encerramento de atividade, retorno ao regime de competência ou exclusão do Simples Nacional.

Como funcionam os sublimites de ICMS e ISS?

No ano-calendário de 2026, o sublimite para recolhimento de ICMS e ISS dentro do Simples Nacional é de R$ 3.600.000,00 para estabelecimentos localizados em todos os estados e no Distrito Federal.

A empresa pode permanecer no Simples Nacional até o limite geral aplicável, mas, quando ultrapassa o sublimite, ICMS e ISS passam a observar recolhimento fora do DAS e as respectivas obrigações estaduais e municipais.

O sublimite é definido para cada ano-calendário. Por isso, esse valor deve ser confirmado novamente antes de qualquer decisão ou cálculo.

Como solicitar a opção pelo Simples Nacional?

Os prazos de opção precisam ser conferidos para cada ano.

No ciclo de 2026, as empresas que já estavam em atividade utilizaram a janela de janeiro. Para a opção com efeitos em 2027, o prazo para empresas já constituídas que pretendiam ingressar ou retornar ao Simples Nacional foi de 1º de setembro a 15 de outubro de 2026, conforme a orientação oficial da Receita Federal sobre a Resolução CGSN nº 194/2026. Para pedidos apresentados no prazo e inicialmente indeferidos por pendências impeditivas, a regularização pode ocorrer até 30 de outubro de 2026.

Para novas empresas, a manifestação de intenção de optar pelo Simples Nacional passou a ocorrer no momento da inscrição do CNPJ, por meio do Módulo Administração Tributária — MAT. Se a empresa não fizer a opção nesse momento, deverá observar a próxima janela aplicável.

O enquadramento no SIMEI possui regras próprias e a solicitação do MEI permanece sujeita ao período específico informado pelo Portal do Simples Nacional.

Antes da opção, devem ser verificadas pendências cadastrais e fiscais perante União, estados, Distrito Federal e municípios. Inscrição municipal e, quando exigível, inscrição estadual também precisam estar regulares.

Consulte o Portal do Simples Nacional antes de iniciar o procedimento, porque datas, sistemas e regras operacionais podem mudar.

Se sua empresa precisa decidir enquadramento, fator R, regularização ou desenquadramento com base em documentos, fale com Elvis Dermoni e apresente a situação da sua empresa para uma avaliação inicial.

PGDAS-D, DAS, DEFIS e DASN-SIMEI

Os documentos e sistemas do Simples Nacional possuem funções diferentes:

  • PGDAS-D: sistema mensal em que a ME ou EPP declara as receitas e apura os tributos;
  • DAS: documento utilizado para pagar os valores apurados;
  • DEFIS: declaração anual de informações socioeconômicas e fiscais da ME ou EPP;
  • DASN-SIMEI: declaração anual específica do Microempreendedor Individual.

A antiga DASN das microempresas e empresas de pequeno porte foi substituída pela DEFIS a partir do ano-calendário de 2012.

A empresa não deve tratar DAS, PGDAS-D, DEFIS e DASN-SIMEI como se fossem o mesmo documento.

A DASN-SIMEI é a declaração anual em que o MEI informa a receita bruta do ano-calendário anterior.

A declaração deve ser apresentada até 31 de maio de cada ano, inclusive quando o MEI não tiver registrado faturamento.

Quando ocorre a baixa do CNPJ, a declaração de situação especial possui prazos próprios. O prazo deve ser conferido no Portal do Empreendedor antes da transmissão.

O que observar na transição de 2026 para 2027?

O ano de 2026 faz parte da preparação operacional para a Reforma Tributária do Consumo. Para as empresas do Simples Nacional, uma das decisões relevantes será a forma de tratamento do IBS e da CBS a partir de 2027. Veja também o guia específico sobre Simples Nacional puro ou híbrido em 2027, com os critérios que precisam ser comparados antes da escolha.

Para a opção pelo Simples Nacional com efeitos durante o ano-calendário de 2027, a Resolução CGSN nº 186/2026 estabeleceu inicialmente a janela de setembro de 2026, posteriormente prorrogada pela Resolução CGSN nº 194/2026: a solicitação de ingresso ou retorno ao Simples Nacional para 2027 pôde ser apresentada de 1º de setembro a 15 de outubro de 2026, com regularização de pendências impeditivas até 30 de outubro de 2026, nos termos da orientação oficial da Receita Federal. Em regra, a permanência de quem já é optante e está regular é automática, mas a empresa deve verificar sua situação fiscal e eventuais ocorrências de exclusão.

Para o primeiro semestre de 2027, as empresas já optantes pelo Simples Nacional puderam escolher o recolhimento do IBS e da CBS pelo regime regular entre 1º de setembro e 30 de outubro de 2026, conforme a Resolução CGSN nº 194/2026. Essa escolha produzirá efeitos de janeiro a junho de 2027. Se não houver opção pelo regime regular, esses tributos permanecerão no recolhimento unificado durante o primeiro semestre, observadas as regras aplicáveis e a nova oportunidade prevista para março de 2027.

A mudança do calendário para setembro não se aplica à opção pelo SIMEI. Para o MEI, o enquadramento no SIMEI continua sujeito ao período específico de janeiro informado pelo Portal do Simples Nacional.

Essas decisões não devem ser tomadas por regra geral. O impacto depende do perfil de clientes, fornecedores, créditos, preços, margem e operação da empresa.

Antes de qualquer opção, é necessário confirmar o cronograma vigente, reunir documentos e realizar uma simulação comparativa. Sem dados, não existe conclusão responsável.

Perguntas frequentes

O Simples Nacional sempre reduz impostos?

Não. O regime simplifica o recolhimento de determinados tributos, mas a carga efetiva depende da atividade, receita, folha, anexo, fator R e comparação com os demais regimes.

Toda empresa de serviços paga pelo Anexo III?

Não. Serviços podem ser tributados pelos Anexos III, IV ou V, conforme a atividade e, em determinados casos, o fator R.

Optante pelo Simples precisa de inscrição municipal?

Sim. A inscrição municipal é exigida para a opção. A inscrição estadual também é necessária quando a empresa exerce atividade sujeita ao ICMS.

Regime de caixa permite deduzir despesas do DAS?

Não. No Simples Nacional, o regime de caixa trata do momento em que as receitas recebidas entram na base mensal. Ele não transforma despesas ou pagamentos em deduções automáticas.

MEI e SIMEI são a mesma coisa?

Não. MEI é a condição empresarial do microempreendedor individual. SIMEI é o sistema de recolhimento em valores fixos mensais aplicável ao MEI.

Como avaliar se o Simples é adequado ao negócio?

O Simples Nacional pode facilitar a rotina tributária, mas não substitui a análise do negócio. Antes de optar, permanecer ou sair do regime, é necessário conferir atividade, receitas, folha, anexos, pendências, obrigações e efeitos da transição tributária.

Para aprofundar a função da informação contábil na gestão, veja também como a contabilidade apoia controle, planejamento e decisão empresarial.

No Ecossistema CNP, a escolha do regime é tratada como decisão de gestão baseada em números, documentos e contexto — não como promessa genérica de economia.

Sem essa leitura, a simplicidade operacional pode esconder uma escolha tributária inadequada.

Uma análise tributária e financeira completa ajuda a confirmar, com números e documentos, se o regime escolhido é realmente adequado à operação.

Entender o regime é apenas o primeiro passo

Antes de concluir que o Simples Nacional é a melhor escolha, é necessário comparar atividade, receitas, folha, anexos, fator R e obrigações aplicáveis.

Se você ainda tem dúvidas sobre o Simples Nacional ou SIMEI, use o botão acima para conversar com um especialista CNP e entender o que precisa ser avaliado na sua empresa.

Conteúdo educativo. A escolha ou manutenção do regime depende da análise documental e das características do caso concreto.

Fontes oficiais consultadas

Consulte as fontes oficiais abaixo e suas versões vigentes antes de tomar decisões tributárias.

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Sobre o Autor

Foto de Elvis Dermoni

Elvis Dermoni

Elvis Dermoni é Contador e Consultor Estratégico, Mestre em Direção de Empresas, Perito Contábil-Tributário e Mentor de Negócios, com mais de 20 anos de atuação. À frente do Ecossistema CNP, ajuda empresários que enfrentam caixa apertado, peso tributário e decisões no escuro a conduzir seus negócios com mais clareza, previsibilidade e lucro consciente.
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